O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (10) que o governo deve evitar decisões precipitadas diante da recente alta no preço do petróleo. Segundo ele, apesar de o movimento poder pressionar a inflação por meio do aumento dos combustíveis, é necessário acompanhar a evolução do cenário antes de tomar medidas estruturais.
A declaração foi feita após questionamentos sobre o impacto da disparada do petróleo na expectativa de início do ciclo de redução da taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil. Haddad destacou que a autoridade monetária tem autonomia para decidir sobre a taxa Selic e que suas decisões são baseadas em dados e projeções econômicas.
“O Banco Central é independente porque segue uma metodologia própria, baseada em dados e expectativas. Não cabe ao governo antecipar decisões”, afirmou o ministro, acrescentando que ele próprio não participa das votações do Copom.
Atualmente, a taxa básica de juros da economia brasileira está em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. Em janeiro, o Banco Central indicou a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes na próxima reunião, prevista para a semana que vem. No entanto, diante das incertezas no cenário internacional, o mercado passou a projetar uma redução menor da Selic — de 0,25 ponto percentual, em vez dos 0,5 ponto inicialmente esperados.
A pressão vem principalmente do aumento recente no preço do petróleo, impulsionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. O barril chegou a ultrapassar US$ 120, o maior valor em mais de três anos. Nesta terça-feira, porém, os preços recuaram após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando a possibilidade de um fim próximo para o conflito na região.
Para Haddad, a volatilidade do petróleo demonstra que o cenário ainda é incerto. “O preço do petróleo está oscilando dia a dia. Não podemos tomar decisões estruturais baseadas em movimentos momentâneos”, afirmou.
Economistas avaliam que a guerra no Oriente Médio, envolvendo ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e a possibilidade de expansão do conflito para países vizinhos, pode pressionar tanto o petróleo quanto o dólar. Com combustíveis mais caros, aumentam os custos de transporte, produção e energia, o que tende a impactar a inflação e limitar o ritmo de crescimento da economia brasileira.
Diante desse cenário, o Banco Central segue monitorando as projeções de inflação para os próximos anos. A meta atual é manter a inflação em torno de 3% ao ano até setembro de 2027, objetivo que orienta as decisões sobre a taxa de juros no país.



