EUA apontam suposta ligação entre PCC e Hezbollah como argumento para classificação de facção como terrorista

O governo brasileiro busca negociar com os Estados Unidos para evitar mudanças na classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, temendo que o país fique vulnerável a ações americanas.

A alegação central do Departamento de Defesa dos EUA é a suposta ligação do PCC com o grupo libanês Hezbollah. O principal defensor dessa tese é Joseph Humire, subsecretário adjunto de Defesa para o Hemisfério Ocidental, que em março de 2018 afirmou ao Congresso americano que o PCC é uma das organizações criminosas da América Latina com “ligações comprovadas” com o grupo libanês, junto a Los Zetas, no México, e La Oficina de Envigado, na Colômbia.

Humire destacou a Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai como “centro histórico de convergência entre crime e terrorismo na América do Sul”. Segundo ele, 11 indivíduos residentes no Brasil e no Paraguai foram sancionados pelo Departamento do Tesouro dos EUA por fornecer apoio financeiro ao Hezbollah, e nove deles abriram pelo menos 18 novas empresas após as sanções

O subsecretário ressaltou que a cooperação entre organizações criminosas e grupos terroristas não se limitaria à lavagem de dinheiro, mas incluiria compartilhamento de áreas de operação, inteligência, táticas e treinamento. Para Humire, a repressão americana enfrenta dificuldades na América Latina devido a “instituições fracas, corrupção elevada e fronteiras permeáveis”, fatores que teriam permitido a prosperidade do crime organizado.

Embora o Brasil possua legislação anti-terrorismo, a maioria das normas não reconhece o Hezbollah como grupo terrorista, o que limita a aplicação das leis, como ocorreu no Peru em 2014, quando um membro do Hezbollah foi inicialmente absolvido por falta de base legal.

Humire também alertou sobre três pontos críticos envolvendo o Brasil: influência chinesa no agronegócio e possíveis usos estratégicos, atuação russa por meio de fertilizantes e operações do Hezbollah e da Guarda Revolucionária do Irã no país.

O governo brasileiro busca postergar o debate sobre a classificação das facções até reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Donald Trump, com o objetivo de negociar medidas que preservem a soberania e segurança jurídica do país.