EUA decidem na quarta-feira sobre novo tarifaço ao Brasil

Governo Lula aguarda decisão dos Estados Unidos para definir reação e próximos passos nas negociações O governo brasileiro aguarda a decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de novas tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros. O prazo para a Casa Branca anunciar a medida termina na quarta-feira (15). A expectativa do Palácio do […]

Governo Lula aguarda decisão dos Estados Unidos para definir reação e próximos passos nas negociações

O governo brasileiro aguarda a decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de novas tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros. O prazo para a Casa Branca anunciar a medida termina na quarta-feira (15).

A expectativa do Palácio do Planalto é de que as tarifas sejam confirmadas, embora exista a possibilidade de os norte-americanos ampliarem a lista de produtos isentos da sobretaxa.

Brasil considera acordo difícil, mas mantém negociações

O cenário foi reforçado após declarações do representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, que afirmou que Brasil e EUA ainda estão distantes de um acordo.

Mesmo assim, o governo brasileiro espera participar de uma última reunião virtual com autoridades americanas antes da decisão final, na tentativa de obter uma sinalização sobre o resultado.

Na última sexta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa para discutir os possíveis cenários.

Lula na Cúpula do G7 — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Segundo integrantes do governo, Lula determinou que as negociações sejam mantidas até o último momento, embora continue considerando que as tarifas não possuem justificativa técnica.

Empresas americanas também pressionam contra as tarifas

O Ministério das Relações Exteriores identificou 43 empresas e associações comerciais dos Estados Unidos que solicitaram ao governo americano a exclusão de diversos produtos brasileiros da lista de sobretaxas.

Os pedidos argumentam que muitos desses produtos não possuem substitutos produzidos no mercado americano, o que poderia provocar aumento de custos para empresas e consumidores nos EUA.

Governo prepara reação caso tarifas sejam confirmadas

Se a decisão da Casa Branca confirmar as novas cobranças, o governo brasileiro deverá divulgar uma manifestação oficial classificando a medida como “inaceitável”.

Além disso, equipes técnicas irão analisar os detalhes da decisão para definir os próximos passos, que podem incluir:

  • Continuidade das negociações diplomáticas;
  • Ampliação do diálogo com autoridades americanas;
  • Avaliação da aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil adotar medidas contra países que imponham barreiras comerciais consideradas injustificadas.

Adiamento é considerado pouco provável

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que um adiamento da decisão é improvável.

Segundo negociadores brasileiros, representantes americanos afirmaram que o prazo de 15 de julho é definitivo e dificilmente será alterado.

Caso haja uma prorrogação, a expectativa é que ela seja motivada por razões políticas ou pela necessidade de ampliar as negociações entre os dois países.

Flávio Bolsonaro defendeu adiamento das tarifas

Senador Flávio Bolsonaro em audiência dos EUA contra tarifas — Foto: Divulgação
Senador Flávio Bolsonaro em audiência dos EUA contra tarifas — Foto: Divulgação

O senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu oficialmente ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que a decisão sobre as tarifas fosse adiada para depois das eleições brasileiras.

Durante audiência pública realizada em Washington, o parlamentar afirmou que novas tarifas neste momento poderiam favorecer politicamente o governo Lula e defendeu mais tempo para negociação.

A participação de Flávio ocorreu de forma independente e não representou oficialmente o governo brasileiro.

Relação comercial segue em momento de tensão

As novas tarifas fazem parte de uma série de medidas anunciadas pelo governo de Donald Trump, que incluem investigações sobre temas como comércio, desmatamento, propriedade intelectual, combate ao trabalho forçado e funcionamento do PIX.

Enquanto o Brasil busca evitar a entrada em vigor das novas cobranças, o governo americano deve anunciar sua decisão definitiva até esta quarta-feira, em um dos momentos de maior tensão comercial entre os dois países nos últimos anos.