Texas vira teste para força eleitoral de Trump às vésperas das eleições de meio de mandato

Texas vira teste para força eleitoral de Trump às vésperas das eleições de meio de mandato

Estado historicamente republicano enfrenta disputas mais apertadas em 2026, enquanto queda na aprovação presidencial e avanço democrata colocam em dúvida a capacidade de Donald Trump de mobilizar eleitores

O Texas, um dos principais redutos republicanos dos Estados Unidos, tornou-se um dos estados mais observados na reta final das eleições legislativas de 2026. Corridas que normalmente seriam consideradas seguras para o Partido Republicano aparecem neste ano com margens menores, transformando o estado em um teste importante para a capacidade do presidente Donald Trump de transferir apoio aos candidatos que recebem seu endosso.

A atenção está concentrada principalmente na disputa pelo Senado entre o republicano Ken Paxton, apoiado por Trump, e o democrata James Talarico. Pesquisas recentes apontam uma corrida competitiva, algo incomum em um estado onde os republicanos não perdem uma eleição estadual há décadas.

Trump intensifica presença no Texas

A importância da disputa levou Trump a aumentar sua presença no estado.

Nesta semana, o presidente realizou sua terceira visita ao Texas em menos de um mês, participando de um comício em San Antonio em apoio a Ken Paxton. O evento ocorreu em meio a protestos e interrupções e evidenciou a preocupação republicana com uma corrida que inicialmente parecia mais confortável.

O Texas desempenha papel estratégico para os republicanos não apenas pelo número de eleitores, mas também pela importância do estado na composição do Congresso e na arrecadação de recursos para campanhas nacionais.

Aprovação de Trump caiu no estado

Embora Trump tenha vencido o Texas nas eleições presidenciais de 2016, 2020 e 2024, pesquisas realizadas ao longo de 2026 indicam uma deterioração em sua avaliação entre parte do eleitorado texano.

Levantamento do Texas Politics Project citado pelo Texas Tribune mostrou, em setembro, 43% de aprovação ao desempenho presidencial, oito pontos abaixo do percentual de desaprovação.

Nacionalmente, uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta quinta-feira mostrou Trump com 32% de aprovação, além de menor entusiasmo eleitoral entre os eleitores que votaram nele em 2024 quando comparados aos que apoiaram Kamala Harris.

Esses números não determinam o resultado das eleições de novembro, mas ajudam a explicar por que algumas disputas antes consideradas previsíveis passaram a receber maior atenção dos partidos.

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Senado virou principal preocupação

A corrida para uma das cadeiras do Texas no Senado é um dos pontos centrais.

Ken Paxton chegou à eleição geral depois de receber o apoio direto de Trump durante as primárias republicanas. Seu adversário, James Talarico, conseguiu transformar a disputa em uma das mais competitivas do país.

Uma eventual mudança de cadeira teria implicações nacionais porque o equilíbrio do Senado será determinante para a capacidade do governo Trump de aprovar projetos e nomeações durante os dois últimos anos do atual mandato presidencial.

Por essa razão, organizações republicanas e democratas vêm direcionando recursos, publicidade e lideranças nacionais para o estado.

Republicanos também enfrentam disputas apertadas na Câmara

O cenário competitivo não se limita ao Senado.

O Texas tem em 2026 um número incomum de disputas equilibradas tanto para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos quanto para o Legislativo estadual.

O Texas Tribune identificou vários distritos considerados competitivos, especialmente em regiões com grande população hispânica no sul do estado.

Algumas dessas áreas haviam se deslocado fortemente em direção aos republicanos nas eleições de 2024.

Agora, democratas tentam recuperar espaço justamente nesses distritos.

Redesenho eleitoral pode não produzir resultado esperado

Outro componente importante é a mudança dos mapas eleitorais.

Republicanos aprovaram novos limites para distritos do Texas buscando ampliar sua vantagem na Câmara dos Representantes.

A expectativa inicial era de que o novo desenho ajudasse o partido a conquistar cadeiras adicionais.

No entanto, algumas dessas disputas ficaram mais competitivas do que o previsto, em meio a mudanças de opinião entre eleitores, preocupações econômicas e queda na popularidade presidencial.

Isso significa que o redesenho dos distritos continua favorecendo estruturalmente os republicanos em várias regiões, mas não garante automaticamente vitórias.

Eleitores hispânicos voltam ao centro da disputa

O comportamento do eleitorado hispânico é outro fator observado com atenção.

Trump e os republicanos avançaram significativamente entre eleitores latinos no Texas em 2024, especialmente no sul do estado.

Em 2026, entretanto, levantamentos mostram sinais de mudança em alguns segmentos.

Uma pesquisa realizada entre eleitores latinos do Texas entre abril e maio indicou 54% de preferência por candidatos democratas para a Câmara, contra 28% para republicanos, embora o resultado se refira especificamente à população latina entrevistada e não ao eleitorado texano como um todo.

Por isso, a participação desse grupo deverá ser uma das variáveis decisivas nas disputas mais equilibradas.

Economia pesa sobre campanha republicana

Além das questões partidárias, temas econômicos aparecem entre as principais preocupações dos eleitores.

Pesquisas nacionais registraram insatisfação com o custo de vida, enquanto o aumento dos combustíveis e outras pressões econômicas passaram a integrar a campanha para as eleições legislativas.

No Texas, questões locais como expansão de centros de dados, infraestrutura de energia e custos de transmissão elétrica também passaram a mobilizar eleitores.

Democratas tentam vincular essas preocupações à administração Trump, enquanto republicanos defendem as políticas econômicas do governo e procuram concentrar a campanha em temas como imigração, segurança e impostos.

Alguns republicanos tentam se afastar de Trump

O fenômeno observado no Texas faz parte de um movimento mais amplo.

Uma análise da Reuters publicada na quarta-feira, 7 de outubro, apontou que 41 dos 62 candidatos republicanos envolvidos nas disputas congressuais mais competitivas do país adotaram posições diferentes das de Trump em pelo menos alguns temas.

Isso não significa rompimento com o presidente.

Na maioria dos casos, os candidatos continuam apoiando a agenda republicana, mas tentam construir uma identidade própria em assuntos específicos para conquistar eleitores independentes e moderados.

Texas continua republicano, mas disputa ganhou importância nacional

Apesar das corridas mais apertadas, o Texas não deixou de ser um estado de forte tradição republicana.

Trump venceu o estado três vezes, o Partido Republicano controla os principais cargos estaduais e mantém vantagens institucionais importantes.

O que mudou em 2026 é o grau de competitividade.

Disputas que normalmente receberiam pouca atenção nacional agora atraem presidentes, grandes doadores, organizações partidárias e cobertura intensa da imprensa.

Resultado será um teste político para Trump

Por isso, o desempenho republicano no Texas deverá ser analisado também como um indicador da influência política do presidente.

Vitórias dos candidatos apoiados por Trump reforçariam a capacidade do presidente de mobilizar a base em eleições de meio de mandato.

Resultados abaixo do desempenho tradicional republicano, por outro lado, provavelmente alimentariam discussões dentro do próprio partido sobre os limites dessa influência.

O resultado, porém, só será conhecido nas urnas de novembro. Até lá, pesquisas mostram um cenário mais competitivo do que o Texas costuma registrar, mas não permitem concluir antecipadamente qual partido sairá vencedor.